03/09
2009


Perdida em uma ilha da remota Melanésia, a tribo dos Yaohnanen espera há anos a chegada de um Deus que retornará para lhes cobrir de presentes: o duque Felipe de Edimburgo. Segundo a mitologia Yaohnanen, o marido da rainha da Inglaterra é o filho de um antigo espírito que habita as montanhas da ilha de Tanna, e reinará sobre os membros da tribo em sua volta. Por isso, cada vez que recebem uma visita, os nativos exibem as fotografias do príncipe Felipe com o mesmo fervor com que um católico mostraria a imagem da virgem Maria.

Apesar dos milhares de quilômetros que separam Londres deste pequeno arquipélago da Melanésia, os nativos asseguram que o espírito do príncipe Felipe aparece com freqüência e lhes fala. “Não podemos vê-lo, – diz o chefe da tribo – mas podemos escutar sua voz”

Averiguar a maneira com que o duque de Edimburgo chegou a transformar-se em um Deus para estas pessoas não é um assunto simples. Os antropólogos determinaram que em algum momento da década de 1950 as crenças ancestrais dos Yaohnanen se mesclaram com as notícias que os visitantes ingleses traziam sobre a família real britânica e o choque de culturas deu lugar a uma nova e exótica crença. Também se fala da influência de uma visita do próprio príncipe à área em 1974.

Estes tipos de choques culturais são especialmente freqüentes nesta zona do Pacífico e são conhecidos como os “cultos cargo” ou “cultos à carga”. Na mesma ilha de Tanna existem outros grupos religiosos que esperam a chegada de um personagem conhecido como “Jon Frum” ou “John From”, um deus que virá dos céus para trazer todo tipo de mercadorias e bens materiais. A origem está nos movimentos das tropas americanas durante a Segunda Guerra Mundial, que apareceram subitamente sobre o céu da ilha trazendo todo tipo de provisões.

Na mente dos indígenas aquelas caixas que caíam do céu cheias de comida ficaram fixadas como autênticos presentes dos deuses, e os aviadores que vinham com elas foram tomados como poderosas divindades. A história ficou imortalizada na figura de “John From“, provavelmente depois de que algum aviador se apresentou diante dos nativos como “John from America”.

Uma vez que a guerra terminou, os soldados partiram por onde haviam vindo e os nativos ficaram sozinhos em desconcerto. Logo começaram a acender fogueiras e a construir antenas de madeira com a esperança de que os aviões retornassem. Em sua maneira de entender o mundo, se repetissem exatamente o que tinham visto fazer aqueles deuses vindos dos céus, logo chegariam novos aviões e navios que encheriam sua ilha de presentes.

Por toda a Melanésia, desde Papua Nova Guiné até as ilhas Salomão, dúzias de comunidades sem contato entre si e com línguas muito diferentes, desenvolveram os mesmos estranhos rituais. Aqui e lá os indígenas construíam aviões de bambu, acendiam fogueiras para atrair os aviões e faziam sinais com tochas como tinham visto fazer os soldados. Os antropólogos chegaram a mostrar sua preocupação diante do fato de que comunidades inteiras tinham deixado de trabalhar com a esperança de que a ajuda divina solucionasse suas necessidades.

Hoje em dia, os seguidores de Jon Frum continuam se reunindo na ilha de Tanna todo dia 15 de fevereiro para celebrar seu particular ritual: um grupo de supostos “soldados” desfila com seus fuzis de madeira e a palavra USA riscada sobre seu peito. A seguir içam pontualmente a bandeira americana e realizam uma série de cânticos rituais com a esperança de que Deus volte a lançar sobre eles seu prezado “carregamento”.

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Mais informação e fontes: 1, 2, 3, 4 e 5
Créditos: Ceticismo Aberto

Achou engraçado? Imagine como deve ser engraçado para eles e para outras bilhões de pessoas a sua crença.

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1 Comentário até agora

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  1. lindo u.u
    ateismo, é mto foda